O deputado Pedro Novais
(PMDB/MA), relator da CPI da Dívida, apresentou ontem (27) relatório final
da CPI, que deverá ser votado até 14 de maio, onde constam vários pontos
defendidos pela FEBRAFITE, no âmbito da questão do estoque da dívida
estadual, entre eles a revisão dos contratos.
Entre os itens apontados no
relatório, e também apresentados na Comissão pelo representante da FEBRAFITE,
o agente fiscal do RS, João Pedro Casarotto, consta o saldo da dívida de R$
320 bilhões. Além disso, o parlamentar também reconheceu que faltam
estatísticas oficiais até a década de 90 que tratam dos contratos da dívida.
Novais citou as dificuldades de registro de contabilidade pública e também
que o fator mais importante para o crescimento da dívida pública são as
altas taxas de juros e que a dívida dos estados cresceu devido à política de
juros altos do Plano Real, antes mesmo de serem refinanciadas pela União,
recomendando a fixação de limites para o estoque da dívida, entre outros
pontos.
Ainda de acordo com o estudo
da FEBRAFITE, Pedro Novais reconheceu que o custo da dívida dos estados
renegociada pela União é excessivo (IGP-DI + 6% a 7,5% ao ano) e propõe
projeto de lei para restabelecer o equilíbrio contratual, e outro para
abater 3% da RLR (Receita Corrente Líquida) do pagamento da dívida, se
direcionados a investimentos.
Apesar disso, o Relatório
possui muitas deficiências, não apontando, por exemplo, ilegalidades na
dívida, e rejeitando a idéia de uma auditoria. Após a reunião,
representantes de várias entidades, entre elas a FEBRAFITE, entregaram ao
presidente da CPI, deputado Virgílio Guimarães (PT/MG), carta solicitando
reunião com o relator da CPI e demais deputados da Comissão, para discutir o
Relatório Final na terça-feira, dia 04, na Câmara.
Na oportunidade, a Federação
apresentará proposta de projeto de lei que atenda integralmente as ideias
defendidas pela Federação: alteração das leis que tratam dos contratos, com
vistas a viabilizar o refazimento destas, seguindo as diretrizes mínimas:
proibição da cobrança de juros; proibição de qualquer indexação, ou de, no
máximo, a adoção do IPCA; obrigação de recalcular o plano de amortização com
a incorporação destas novas diretrizes desde a data do recebimento do
empréstimo e determinação da inclusão da cláusula do equilíbrio
econômico-financeiro do contrato a fim de que se possam corrigir eventuais
futuras distorções que venham a prejudicar as finanças dos Entes Federados.
Para a FEBRAFITE o saldo
devedor da dívida é preocupante, pois gera dependência dos Estados
tornando-se impagável. Isto traz a perda da autonomia, que é um pressuposto
básico para a existência do País.
Além da FEBRAFITE, Importantes entidades estiveram presentes, como a UMNA -
Unidade Mobilização Nacional pela Anistia (Jacques Dornellas), OAB – Ordem
dos Advogados do Brasil (Régia Brasil), ANFIP – Associação Nacional dos
Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (José Avelino), Pastorais
Sociais/CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Magnólia
Rodrigues, Delci Franzen), ASSTTRA-MP - Associação dos Servidores Técnicos
em Transporte e Segurança do Ministério Público da União (Laércio Reis),
SINASEMPU-DF - Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da
União (Cristine Maia), ANDES/SN – Sindicato Nacional dos Docentes das
Instituições de Ensino Superior (Benedito Filho, Lauro Xavier), CONIC -
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Gabriele Cipriani), SINASEFE
– Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica,
Profissional e Tecnológica (Ricardo Ferreira), CONLUTAS – Coordenação
Nacional de Lutas (Luiz Carlos Prates), ASMPF - Associação dos Servidores do
Ministério Público Federal (Marcos Ronaldo), Auditoria Cidadã da Dívida
(Maria Lucia Fattorelli, Rodrigo Ávila), Daniel Bin, David Wilkerson (UnB).
Para saber sobre o assunto
acesse no portal da Federação a edição de março da Revista Febrafite que
aborda o tema.