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Clipping Affemg - Fonte: O Tempo
O choque do funcionalismo

A ação administrativa do governo mineiro tem nome, que serve ao mesmo tempo de marketing - "choque de gestão", uma novidade em administração pública, uma expressão moderna e impactante.

Quando esse governo se instalou em 2003, a receita do Estado empatava com o custeio, em torno de R$ 700 milhões mensais. O governador Aécio Neves aumentou as alíquotas do ICMS das três maiores contas de arrecadação, que passaram a ser as mais altas do país: telefonia celular, 32%, combustíveis, 28%, energia elétrica, 28%. As três somadas respondem por mais de 70% da arrecadação total do Estado, que passou a variar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões. Esse o segredo da gastança.

Em 2004, começaram as modificações das leis que regiam o quadro de pessoal do Estado. Assim é que no dia 29 de fevereiro foi revogada a lei do apostilamento no serviço público. Não poderia esquecer essa data, pois fui o autor do projeto de lei desse benefício, que vigeu por quase 25 anos. O governo incorporou ao salário o que chamou de "penduricalhos". Na verdade, acabou com os adicionais por tempo de serviço, quinquênio e trintenário, que constituíam vantagens patrimoniais dos funcionários.

Logo no princípio, não era visível o prejuízo causado, e só com o passar do tempo é que ele começou a ser sentido. De nada adiantaram as reclamações das associações de classe ou sindicatos. O governo dizia que, ao invés de prejuízo, estava dando aumento. Realmente, para algumas categorias, foram dados pequenos aumentos, o que contraria dispositivo constitucional que proíbe a concessão de aumentos diferenciados.

Agora, com a implantação do piso salarial do magistério público do Estado, ficou claro o procedimento do governo, mais ainda para os aposentados, apostilados etc. Quanto ao pessoal da Previdência do Estado, nem é bom falar. Por falta de espaço, abordarei esse assunto da Previdência na próxima semana. A Lei Federal 11.738, que estipula para o magistério o piso de R$1.312,85, com jornada de trabalho de 24 horas semanais, serviu de base para o governo empurrar o problema para seu sucessor. Aqui, até a lei entrar em vigor no próximo ano, o inicial da carreira do magistério é de R$ 369,89, bem inferior ao salário mínimo.

O que fez o governo para fugir ao regramento federal? Somou a esse inicial todas as vantagens que uma professora ou professor possa adquirir em toda a sua carreira, até se aposentar, e fixou o piso em R$ 935. Assim, quem for aprovado em concurso e entrar para a carreira agora ganhará o mesmo que uma professora apostilada e aposentada, com 30 anos de serviço ou mais.

E assim estão todos os servidores públicos do Estado. Isso é choque ou enganação de gestão? Com que intuito o governo faz isso com o funcionalismo? De maldade? Não, não acredito... O governador Aécio não é disso.