Com 13º parcelado, associação de oficiais da PM ameaça radicalizar

Após anúncio de Zema, entidade questiona se é preciso adotar posturas 'contundentes que comprometam o Estado de Direito'

Publicação: 29/01/2019
Última visualização: 19/04/2019 - 03:57

Romeu Zema disputa o governo de Minas pelo Novo

 


DA REDAÇÃO

 

"Será preciso adoção de posturas radicais e contundentes que comprometam o Estado de Direito?". Com essa pergunta, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (AOPMBM) protestou contra a decisão do governo do Estado de parcelar o 13º salário dos servidores públicos em 11 vezes. Em nota assinada pelo coronel da PM Ailton Cirilo da Silva, presidente da entidade e diretor regional Sudeste da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme), a AOPMBM afirma que a notícia "conseguiu piorar o que era ruim".



"Como diz o ditado:'nada é tão ruim que não possa piorar'. Parece que a Governança não quer enxergar o caos que a medida acarreta. Famílias estão endividadas, com a renda comprometida, problemas de saúde dos  Servidores decorrentes desta situação e, a desmotivação começa dar sinais no quartéis na prestação da segurança pública", disparou a associação, antes de fazer o questionamento em tom de ameaça.



"Será preciso adoção de posturas radicais e contundentes que comprometam o Estado de Direito? Cadê o dinheiro do IPVA? Vamos restringir os mais 10.000 benefícios fiscais de isenção de ICMS, existentes em MG! O sentido da palavra 'Estado' pode ser de difícil compreensão para muitos, mas é importante destacar que o governante eleito é posto como a sua personificação e, dessa forma será cobrado ações que resolvam questões de difíceis.Para isso, ele foi eleito", disparou a AOPMBM.



A entidade acusa o governador Romeu Zema (Novo) de liderar um "Estado absolutista, onde prospera a vontade do chefe do Poder em detrimento de seus servidores". "Estamos pagando uma conta muita alta pela má gestão dos políticos anteriores", completa.



A AOPMBM lembra inclusive os trabalhos de resgate efetuados na tragédia de Mariana. "Destarte, é o Executivo que faz a máquina estatal funcionar: arrecadar, fiscalizar, educar e promover a saúde, policiar e socorrer vítimas da tragédia de Brumadinho, para usar um exemplo recente", pontua a associação, para na sequência reclamar do que considera benefícios de outros Poderes.



"Ficamos olhando o Legislativo, Judiciário e MP usufruindo das benesses do Estado e, enquanto cobramos o 13º salário, eles já receberam até o 14º. É uma Vergonha, diria Boris Casoy. Pau que dá em Chico, tem que dá no Francisco. A isonomia entre os Poderes precisa deixar de ser letra morta e deve ser aplicada na prática. Fica aqui, o desagrado direcionado ao senhor Governador do Estado", completa a nota.



O governo do Estado anunciou na última segunda-feira (28) que fará o pagamento do 13º salário parcelado em 11 meses, entre fevereiro e dezembro, sempre no primeiro dia útil após o dia 20 de cada mês. A notícia deixou sindicatos e servidores irritados, mas o governador destacou que essa é a única maneira encontrada para quitar a dívida, deixada pelo governo de Fernando Pimentel (PT).

 

 

Fonte: Jornal O Tempo
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