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A vida em primeiro lugar

A vida em primeiro lugar
Maria Aparecida Meloni - Papá

A vida em primeiro lugar

25/8/2020

O coronavírus, mal invisível que está determinando o isolamento de um quinto da população da terra, a paralisação das atividades econômicas e levando o assombro da morte a milhares de pessoas, é o maior desafio que a humanidade enfrenta desde a 2ª guerra mundial.

No Brasil, a situação é ainda mais grave e ameaçadora, já que além da profunda desigualdade social, nos últimos anos, assistimos à revogação, um a um, dos direitos sociais conquistados a partir da Constituição Federal de 1988, como a revogação dos direitos trabalhistas, a reforma da previdência, o desmonte da assistência social e de outras políticas de atenção aos mais necessitados. Vimos os cortes nos investimentos em saúde (20 bilhões só em 2019), em educação, pesquisa, saneamento, moradia e outros, por imposição da Emenda 95, que instituiu o teto dos gastos no Setor Público.

A ilusão de “eficiência” de um Estado mínimo (ou até de “Estado nenhum” como muitos defendem) parecia a panaceia que nos salvaria de todos os males. Mas a história é pródiga em mostrar que os neoliberais que professam a fé única no deus mercado, querem mesmo é um Estado mínimo, para o cidadão, e máximo, para o capital financeiro, (e mais um vez, a crise provocada pelo coronavírus está confirmando que o mercado não vive sem o Estado).

Neste momento, a AFFEMG conclama os Associados e suas famílias a praticarem, com disciplina e tranquilidade, o isolamento social como nos recomenda as autoridades de saúde, pois esta é a única defesa que está ao nosso alcance agora. Não cairemos na armadilha sórdida que tentam induzir um falso dilema: “a VIDA ou a economia.” O primado da VIDA se impõe e é a economia que está a serviço da VIDA. Não o contrário! Vamos sair mais fortes desta tormenta.

O recolhimento e o silêncio do isolamento nos convidam à reflexão sobre o caminho trilhado até aqui. Ao constatar o desmonte do serviço público, as privatizações que empobreceram o país e só beneficiaram o grande capital, o sucateamento do sistema público de saúde, a imposição do teto de gastos em áreas essenciais como a educação, o corte de verbas das universidades e seus centros de pesquisa, os milhares de Servidores do Estado brasileiro que agora, mesmo sem equipamentos básicos, precisam estar à frente desta guerra, atendendo doentes, orientando e assistindo a população mais pobre, buscando recursos para que o Estado possa ter condições de cumprir o seu papel, essencial e indelegável, vamos concluir que é urgente corrigir o rumo, virar para uma outra direção, que leve ao fortalecimento do Estado, à valorização daqueles que escolheram trabalhar pelo bem comum e à construção de uma sociedade mais solidária e fraterna.

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